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  International Fund for Agricultural Development
Reuters Portuguese
16 November 2004

Londres, 16 de novembro (Reuters) - Cerca de 90 por cento dos trabalhadores pobres no setor informal - ou mais de 1 bilhão de pessoas - não têm acesso a serviços bancários básicos que ajudariam a melhorar suas condições de vida, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira.

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Ifad, um órgão da ONU) afirmou que o acesso a serviços como crédito, poupança, seguro e transferências de dinheiro poderia tirar milhões de pessoas da pobreza em todo o mundo.

Gary Howe, chefe de desenvolvimento estratégico do Ifad, contou à Reuters que alguns países da Ásia, como a Índia e a China, haviam avançado bastante rumo à solução do problema. No entanto, na África, esses esforços estavam sendo prejudicados por uma expansão tímida da economia e pela incapacidade de transferir esses serviços de entidades estatais para o setor privado.

''Não estamos vendo muito progresso na África'', afirmou Howe. ''Eu realmente acredito que temos que dar mais atenção à África nos próximos anos''.

O funcionário do Ifad disse que a expansão econômica vivida pela Ásia abriu novas oportunidades para os pobres e preparou o caminho para um crescimento do setor das microfinanças.

Segundo o órgão da ONU, o acesso a esses serviços por parte das camadas mais pobres poderia ajudar o mundo a atingir a meta de diminuir pela metade, até 2015, o número de pessoas que vivem com menos de 1 dólar por dia.

O Ifad afirmou que nos últimos cinco anos o setor das microfinanças cresceu cerca 25 a 30 por cento. A agência da ONU disse que até fundos internacionais haviam começado a se interessar pelo mercado das microfinanças.

Segundo Howe, a ''onda do amanhã'' era oferecer aos pobres acesso a serviços de financiamento comercial, afastando-os das linhas de crédito patrocinadas pelos governos.

''Mas as microfinanças não são uma panacéia. Se não houver penetração no mercado e se o lucro for pequeno, as microfinanças não vão solucionar o problema'', acrescentou.

 


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