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  International Fund for Agricultural Development
Inter Press Service Portuguese
18 November 2004

O pequeno ganhou importância no mundo das finanças. Ou seja, o negócio do microcrédito está prosperando, e com ele a vida de milhões de pessoas que carecem de acesso a serviços financeiros básicos. Esta é a conclusão de um relatório do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), uma agência da Organização das Nações Unidas com sede em Roma, em preparação para um ativo Ano Internacional do Microcrédito, em 2005. Há uma gama muito ampla de microcréditos, dentro de certos limites.
''Uma pessoa pode emprestar US$ 50'', disse Gary Howe, chefe de estratégia de desenvolvimento da Fide. Não parece muito, mas com esse dinheiro ''pode-se comprar três cabras, sementes, fertilizantes, ferramentas e, uma vez pago o empréstimo, pode-se pedir até US$ 500 para compra de máquinas'', disse à IPS. O pioneiro mundial dos serviços microfinanceiros foi o Grameen Bank, de Bangladesh, que atualmente conta com 2,4 milhões de clientes. ''Começou como uma atividade experimental. Depois, se transformou em uma organização não-governamental e, em seguida, em um banco'', explicou Howe.

Os serviços microfinanceiros seguem essa tendência de se transformarem em ONG benéficas para estruturas financeiras. E cada vez mais se encaminham através de instituições nacionais capazes de se relacionarem com ONGs no mundo. Esta corrida para emprestadores mais especializados e experientes é boa para as microfinanças, disse Howe. ''É melhor trabalhar através de instituições com autocontrole financeiro e probidade. Isto facilita a regulamentação e dá à indústria uma voz em relação aos reguladores'', explicou. As microfinanças começam a chamar a atenção de atores financeiros de grande peso no mundo.

O Ano Internacional do Microcrédito, designado pela ONU, será lançado nesta quinta-feira, 18/11, nas bolsas de valores de várias cidades importantes do mundo, como Nova York e Milão, para dar-lhe um caráter mais mundial. Nos últimos cinco anos, o setor microfinanceiro cresceu ao ritmo de 25% a 30% ao ano, destacou o Fida. ''Sessenta e três das principais instituições microfinanceiros do mundo apresentaram um rendimento médio de 2,5% de seus ativos totais, o que se compara favoravelmente com os rendimentos do setor bancário comercial'', ressaltou a agência. Em países tão diversos como Bangladesh Benin e República Dominicana, a porcentagem de reembolso chega a 97%.

''Instituições financeiras comerciais como o Triodos Bank da Holanda, o Citibank dos Estados Unidos e o Deutsche Bank estão se voltando para o microcrédito, atraídos pelo ''duplo benefício'' de obter ganhos e contribuir para a redução da pobreza mundial'', destaca o relatório. Mais de 60 fundos de investimento incorporaram os microcréditos às suas carteiras, e cerca de 70% deles apareceram nos últimos anos, diz o documento. ''Os pobres estão se transformando em parte do mercado financeiro mundial e querem ter acesso a maior variedade de serviços e produtos financeiros'', disse Lennart Bagé, presidente do Fida. ''Para atender suas necessidades, devemos fazer com que as microfinanças se aproximem do sistema financeiro formal'', ressaltou.

Muitos grandes atores financeiros estão criando vínculos com sistemas microfinanceiros nacionais. O próprio Fida, além de promover a tecnologia do microcrédito, tem uma carteira de projetos de US$ 640 milhões em atividades de financiamento rural, que representa 30% de seus planos em curso. Além disso, dois terços dos projetos da agência têm algum componente microfinanceiro. Segundo Howe, os microcréditos podem dar um grande impulso aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, porque ''aumentam a capacidade de ganhar mais''. Uma dessas metas, estabelecidas pelos países-membros da ONU em 2000, é reduzir a quantidade de pobres pela metade até 2015.

Os microcréditos são mais eficazes contra a pobreza que a cooperação para o desenvolvimento porque podem ''ajudar a aumentar a produtividade e os ganhos dos pobres''. Em especial, os microcréditos são muito bons para as mulheres, que tradicionalmente têm pouco acesso à terra e aos mercados. ''Os microcréditos abriram sua janela para o mundo. Tiveram um impacto muito profundo em sua saúde e educação'', destacou Howe. O relatório do Fida reconhece que as microfinanças ainda não alcançaram os 25% mais pobres entre os pobres. ''A maioria dos microcréditos é concedida em zonas urbanas ou semi-urbanas, porque é mais fácil fornecer um serviço quando as pessoas estão juntas'', explicou Howe. O Fida busca métodos para reduzir o custo e levar microcréditos às áreas rurais.


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