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Intervençao do Chefe da Delegaçao Cabo-Verdiana, S.E. o Embaixador José Eduardo Barbosa, Representante Permanente Junto do FIDA, Perante a 31ª sessao do Conselho dos Governadores

12 March 2019

Senhor Presidente do Conselho,
Senhor Presidente do FIDA,
Senhores Governadores,
Minhas Señoras e Meus Senhores,

Permitam-me, antes de mais, saudar o Senhor Presisdente do Conselho de Governadores, assim como os demais membros da Mesa pela sua brilhante eleição, asegurando-lhes a cooperação da delegação cabo-verdiana.

Saúdo, também, vivamente, o Presidente do FIDA, Señor Lennart Båge, pela sua visao do FIDA e pelo modo clarividente como soube conduzir a organização durante estes anos em que ela soube adaptar-se as incertezas e grandes desafios que se lhe colocam num mundo em rápida transformação.

Cabo Verde e afectado por secas cíclicas que, no passado, foram responsáveis pela morte de dezenas de milhares de pessoas totalizando, por vezes cerca de um terço da sua população e pelo processo de desertificação.

Não obstante este facto, mais de 60% das pessoas vivem no campo, pelo que, por consequência, os seus esforços de sobrevivência e de desenvolvimento são sempre severamente afectados pelo déficit de solos aráveis e pela crónica falta de agua devido a escassez da chuva ou a irregularidade fluviométrica.

Assim, como representante desde pais ante este Conselho, não posso deixar de me congratular, no momento em que comemoramos o 30º aniversário do FIDA, pelo percurso da organização durante este tempo.  Na verdade, ao olharmos a obra realizada não poderemos senão dar razão aos pais fundadores pela sua opção de promover a parceria entre países da OCDE, da OPEC e países em vias de desenvolvimento para a luta contra a pobreza, a fome e a malnutriçao, numa palavra, pelo desenvolvimento rural nestes últimos países.

Se o montante de mais de 10 biliões de dólares americanos investidos nesse empreendimento é em si impressionante, não é menos certo que os objectivos alcançados e o caminho percorrido ate a presente são muito encorajantes, não sendo difícil encontrar casos de sucesso ou ate de eliminação total de pobreza.

Todavía, a pesar do grande impacto das realizações do FIDA na vida de centenas de milhores de seres humanos, estamos convencidos que muito resta a fazer.

Isto é, antes de mais, una exigência dos Objectivos do Milénio e em especial do primeiro objectivo que visa a redução a metade das pessoas atingidas pela fome no Mundo ate ao ano 2015. 

Na verdade, se e certo que este objectivo esta ao nosso alcance, não e menos certo que em determinadas regiões, e em especial em Africa, este objectivo esta ainda muito distante.

Por essa razão, a estratégia do FIDA de ter como alvo das suas intervenções as populações das zonas rurais tem todo o apoio de Cabo Verde.  São, come efeito, as populações pobres destas zonas as mais vulneráveis aos problemas que enfrentamos actualmente como a recessão económica, o aumento dos preço dos géneros alimenticios e dos combustiveis, as catástrofes naturais ou provocadas pelo homem, assim como com a mudança climática que e a mayor ameaça que pesa sobre o futuro da Humanidade.

E certo que o IFAD não é uma organização essencialmente humanitária, mas não é menos verdade que as pessoas alvos da sua acção são muitas vezes as mesmas visadas pelas organizações humanitárias. 

Isto porque as crises humanitárias não podem ser integralmente resolvidas se não se equacionar soluções de longo termo e sustentáveis em que as vitimas são preparadas para elas mesmas saírem de forma sustentável da situação em que se encontram, o que representaria uma solução ganhadora.

Esperamos que este aspecto seja cada vez mais tido em conta pelo FIDA e que a sua cooperação com as demais organizações das Nações Unidas mediadas em Roma se reforce cada vez mais a fim de que sejam encontradas conjuntamente soluções sustentáveis aos flagelos da pobreza, da fome e da subnutrição que afecta milhões e milhões de seres humanos no mundo e em especial mulheres, crianças e pessoas de idade.

O facto de a agricultura, aparentemente, ter sido de novo colocada na agenda internacional e muito positivo e esperamos que o mesmo tenha o necessário e adequado eco nas polìticas governamentais assim como nas decisões da instituições financeiras internacionais.

Em Cabo Verde, o FIDA tem apoiado a implementação do Programa de Luta contra a Pobreza no Meio Rural desde o seu lançamento em 1999.

Não posso deixar de expresar a nossa satisfação pela forma como se tem processado a cooperação com o FIDA que o considera bem sucedido nas áreas da sua implementação e o encara como um modelo não apenas a ser alargado a todo o pais, como vem acontecendo, mas aplicável a outras situações.

Não temos duvidas que para o seu sucesso contribuíram decisivamente não apenas o forte engajamento do Governo na promoção das necessárias reformas económicas e o seu reconhecimento do Programa, como a forte participação e espírito de solidariedade das populações e bem assim o forte espírito de partenariado e livre apropriação de que esta impregnado.

Como um dos países pilotos do "One-UN", não posso deixar de referir que o Governo do meu paìs considera que o processo tem decorrido de forma globalmente positiva ate ao presente com impactos significativos não apenas na performance global do sistema como em particular na programação e na implementação dos programas cuja execução tem atingido níveis muito superiores aos anteriores e que se aproximam cada vez mais dos cem por cento, no dialogo entre o Governo, por um lado e os parceiros e os organismos das Nações Unidas envolvidos, e bem assim no que respeita ao plano económico e financeiro, o que o leva a encarar com optimismo o futuro do sistema implementado.

E certo que há lições importantes a serem tomadas em conta tanto no que respeita a gestão dos recursos humanos como as questões técnico-financeiras e bem assim no que respeita a participação entre as instituições participantes tanto no terreno como a nivel das sedes e especialmente a nível de Nova Iorque.

Não poderei terminar sem me referir ao facto de que a Comunidade dos Países de Lengua Oficial Portuguesa (CPLP) e o FIDA terem assinado, em Outubro do ano passado, através dos respectivos Secretario Executivo e Presidente, em Lisboa, um acordo em matéria de desenvolvimento rural, coronado, desse modo, os esforços das duas partes visando estreitar as relações entre elas.  Esperamos que este primeiro passo além das acções concretas orientadas para a implementação dos seus próprios objectivos seja potenciador de novas realizações  no futuro, visto que as responsabilidades enormes que recaem sobre as referidas organizações exígem o constante aprofundamento da cooperação internacional entre as mesmas.

Ninguém poderá por em causa a grande importância do sistema internacional de luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento em beneficio de todos os povos e em especial das pessoas mais vulneráveis.  Que este momento de evocação, a justo título, do caminho percorrido pelo FIDA nos trinta anos da sua existência seja um momento de renovação da nossa fidelidade a visão dos fundadores da instituição e da nossa determinação de continuar a trilhar com perseverança os camimhos do seu melhoramento e da sua modernização o que e fundamental a luz dos desafíos do Século XXI.